Em 2014 o Teatro nos Parques se expande para 6 capitais

Curadores apostam em espetáculos que criam relações com o público e o espaço

TParques2014FlyerEntre os dias 15 de março e 28 setembro os parques de seis capitais brasileiras se tornarão palcos para o mundo do teatro! Trata-se da primeira versão nacional do Teatro nos Parques, circuito de teatro de rua que até 2013 cumpriu 8 edições na cidade de São Paulo e em sua vizinhança. Com a expansão do projeto, além da capital paulista, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Salvador também participarão, somando 96 apresentações de 38 grupos teatrais (confira a agenda na seção de serviços no final).

O Teatro nos Parques começou em 2009 como um projeto de formação de público e como iniciativa de promoção e descentralização do teatro. Assim como no ditado das montanhas que vão até Maomé, o objetivo do idealizador e organizador Edson Caeiro era quebrar a barreira territorial entre teatro e o público. Além disso, ao escolherem os parques como palcos, conseguiriam ocupar o espaço de uma maneira saudável e cultural, fazendo com que a população também explorasse o entorno onde mora. Deu certo! Segundo estimativas da organização, a primeira edição conseguiu reunir cerca de 30 mil pessoas. De lá pra cá o Teatro nos Parques se firmou e hoje está inserido na programação cultural de São Paulo de modo perene.

A aceitação do público paulistano atesta a qualidade do circuito. O florista Djalma de Jesus ressalta a praticidade do projeto “A gente não tem tempo de ir no teatro, então quando acha uma oportunidade assim é muito bom”. Edson Caeiro relembra “Na edição de 2011, após um espetáculo um senhor veio me disse ‘muito bão ter aqui no parque porque a gente não pode ir nesse teatro da classe média pagar ingresso. Tendo aqui no parque a gente assiste e aprende coisas’”.

Edição nacional

A ideia de se fazer uma edição nacional surgiu em 2011 mas a captação de recursos, via Lei Rouanet, só foi possível em 2013 com patrocínio do Ministério da Cultura e do Grupo CCR.

O objetivo agora é levar o Teatro nos Parques para o país todo sem, no entanto, impor o modelo que deu certo em São Paulo. “A característica do projeto é chegar e criar uma simbiose, fazer com que aquela edição seja a edição de Salvador – e para isso chamar os grupos locais que dialogam com a produção daquela região. É como se nascesse uma edição específica para cada lugar. A edição de Salvador, por exemplo, vai ser muito diferente da edição de Curitiba”, afirma Roberto Rosa, curador do circuito ao lado de Caeiro.

Outra ideia que o circuito espera difundir é o hábito de ir ao parque. “Hoje as pessoas estão se trancando cada vez mais com seus fones de ouvido, nos shoppings e condomínios. Ir para o parque, sentar no gramado e assistir um espetáculo é se despojar. O projeto proporciona esse ‘toque’ para as pessoas. A função da arte é conectar as pessoas, não enclausurar”, explica Edson Caeiro.

Para que isso aconteça a aposta dos organizadores do circuito é ocupar estes espaços com uma programação cultural de qualidade. “Não é evento, é uma programação teatral. Temos a intenção de agregar a classe artística e a população para garantir a continuidade do projeto”, completa.

Curadoria

Para convidar os 38 grupos selecionados os curadores se nortearam pela diversidade de linguagens, pela dramaturgia dos espetáculos e pelo trabalho do ator.

Os parques serão tomados por adaptações teatrais a partir de textos de Shakespeare, Molière, Patativa do Assaré, Pedro Bandeira, Mário de Andrade, Darcy Ribeiro, entre outros. Será contemplado, também, um leque muito variado de linguagens como teatro de animação e pantomima, linguagem circense e musicais, mamulengo e Commedia Dell’Arte.

Além disso, foi dada prioridade aos espetáculos que investem em dramaturgia para unir os elementos das peças e que desenvolvam uma relação com o público ao invés de apenas contar uma história. “A relação que eles estabelecem com o público é chave no sentido de que para ela se estabelecer é preciso o trabalho do ator, de dramaturgia e também excelência artística, que é uma espécie de junção de todos esses elementos”, explica Roberto Rosa.

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